"Este teatro é a minha vida"

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Miriam Gimenes<br>Do Diário do Grande ABC

Quando saiu de Iguaracy, cidade no Interior de Pernambuco, no início da década de 1970, Elisabete Barbosa Lucas, 68 anos, jamais imaginou que pisaria em um palco. Na verdade, seu sonho era ter um escritório, frequentar o Fórum. Queria ser advogada. Mas os mesmos caminhos que a trouxeram para o Grande ABC, precisamente em Santo André, a levaram para outro destino: o Teatro Conchita de Moraes, no bairro Santa Teresinha. Foi neste espaço cultural, que deverá passar por reforma em breve, que ela descobriu sua paixão pela arte. “Cheguei no teatro para nunca mais sair. Já são 32 anos no Conchita. Este teatro representa minha vida.”

Assim como muitos nordestinos que chegaram no Grande ABC no fim do século passado em busca de emprego, Elisabete trabalhou em diversas empresas. Só que passou em um concurso público para ajudante na Prefeitura de Santo André, em 1989. “Demorou um ano para me chamarem e o pessoal da Secretaria de Cultura me disse que eu ia cuidar do teatro. Não sabia nada de cultura. Vim da roça, onde a escola ensinava o básico. E me deparei no Conchita com espetáculos o dia todo. Infantis de dia e adultos à noite”, lembra a agora encarregada do espaço.

Foi nele que aprendeu o seu ofício e onde desenvolveu outros talentos. No mesmo palco onde já passaram artistas como Antônio Petrin e Fernanda Montenegro, a pernambucana chegou a arriscar-se como atriz, após um curso de um ano. “Mas o meu negócio é o trabalho manual. Fazer cenografia, figurino, máscaras. Inclusive após um curso que tive na Escola Livre de Teatro (que funciona no local) descobri essa paixão. Dona Bete, como é chamada por lá, passou a confeccionar adereços usados, alguns deles usados no espetáculo Avaros (2007), apresentado pelos alunos da Escola Livre.

E Bete tem um enorme carinho também pela ELT. “Foi desta formação que saíram grandes nomes que podemos ver hoje, como o Sérgio Guizé (ator) e a Andreia Horta (atriz)”, ressalta. Os dois globais moraram em Santo André.
Por isso, para ela, a reforma que chegou ao espaço cultural, que atende público de 220 pessoas, vem em boa hora. O palco estava com problemas estruturais e ficou sem uso por oito anos. As encenações, ressalta, eram feitas em espaços alternativos.

O início das obras está previsto para junho. Por enquanto, a Prefeitura abriu licitação para contratação de empresa responsável pela reforma, que deve custar R$ 2,92 milhões e ser concluída em janeiro de 2022.

A encarregada, que está, desde o início da pandemia, trabalhando em home office. sente muita falta de ver o espaço ‘borbulhar’. “Uma vez trouxemos a peça O Menino Maluquinho, que chegou a ter três sessões em um dia. É muito importante para comunidade. Vou sempre lá para ver como estão as coisas, aguar as plantinhas e matar a saudade.” E bota saudade nisso. 




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