Pet é pauta

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Marcela Munhoz

 Alimentação balanceada, check up, seguro saúde, brinquedos, roupas, nome, sobrenome, redes sociais e um espaço cada vez maior no lar e no coração dos seres humanos. De mansinho, com seus focinhos fofos, pelo macio, carinha de ‘me cuida’ e, especialmente pela demonstração de afeto incomparável e genuíno, os animais de estimação saíram dos quintais, ganharam a cama (vai dizer que não?) e também o posto de integrante importante, diga-se de passagem, da família de muita gente. E estou falando de muita gente mesmo.

 
Só no Brasil, de acordo com dados do IBGE cedidos pela Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), existem por volta de 132,4 milhões de pets – sendo a maioria de cachorros e gatos. Desses, apenas 1% dos entrevistados disseram que os consideram apenas ‘animais’. A indústria especializada comemora: calcula-se movimentação de R$ 17 bilhões por ano, levando o Brasil para terceiro do posto (fica atrás de Estados Unidos e Reino Unido).
 
Para a psicóloga Raísa Giumelli, autora de artigo sobre a relação dos animais de estimação com as pessoas publicado na Revista da Abordagem Gestáltica, existem mais pontos positivos do que negativos nesta história. “Os pets podem proporcionar melhora nas condições físicas e psíquicas, aumentando o estado de felicidade e diminuindo o sentimento de solidão. Pesquisas mostram que quem convive com animais desde a infância se torna mais afetivo, solidário, sensível, com maior senso de responsabilidade e compreende melhor o ciclo vida-morte. Em idosos, podem promover alívio e conforto em momentos de perdas e mudanças, comuns nesta etapa, além de possibilitar melhor autoestima e estimular a convivência social.”
 
No meio de tudo isso, vários são os que consideram absurda a forma filial com que muitos tutores tratam os bichinhos. “Claro que tudo o que é exagerado faz mal. Se a pessoa mantém relação na qual se priva de outras atividades e se o mundo gira em torno desse tema somente a deixando dependente, no sentido de não conseguir desenvolver outros aspectos da vida, é importante refletir. O exagero também não é bom para o animal, pois ele pode desenvolver ansiedade, ter dificuldades de ficar sozinho e de aceitar outros da mesma espécie”, acredita a psicóloga.
 
A mudança de comportamento dos seres humanos em relação aos pets ainda está sendo estudada. Carência, individualismo, solidão e medo de se relacionar com os outros estão entre as justificativas apontadas por aqueles que não entendem esse amor homem-animal. Provalmente são os mesmos que ainda acham que os bichinhos devem ficar presos no minúsculo quintal, lá no fundo, para que o latido ou o ronronar não incomodem. Mas, na minha opinião e por experiência própria – a Gilda está aí para não me deixar mentir – nada melhor do que ter um desses serzinhos dentro de casa para entender como a coisa toda funciona. Simplesmente julgar antes de sentir ou de se colocar no lugar de outro é inadimissível. Isso também serve para o mundo animal. E sabe o que é melhor? Nosso papo sobre o assunto só está começando! Tem sugestões de temas??Mande e-mail para marcelamunhoz@dgabc.com.br.



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