A beleza da Monalysa brasileira

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Karine Manchini

Eleita miss Brasil 2017 com apenas 18 anos, a piauiense Monalysa é engajada e orgulhosa por representar também as mulheres negras e nordestinas

“Olha que coisa mais linda mais cheia de graça (...)”. Na incansável e mundialmente reproduzida Garota de Ipanema, a dupla Tom Jobim e Vinicius de Moraes já exaltava a tão falada beleza da brasileira. Este ano, a representante escolhida, porém, tem 'o corpo moreno e curte o sol do Piauí'. Aos 18 anos, Monalysa Alcântara desbancou 26 candidatas no Miss Brasil 2017, concurso realizado em Ilhabela, Litoral de São Paulo. O segundo lugar ficou com Juliana Mueller, do Rio Grande do Sul, e o terceiro foi de Stephany Pim, do Espírito Santo.

Monalysa – de 1,77 m e 57 kg, só para constar – é modelo desde os 14 anos e foi miss pela primeira vez aos 17 em Teresina. A garota é estudante de Administração e se considera “alegre e engraçada”. É apaixonada pelo que faz, define como sua maior felicidade fora das passarelas passar um tempo ao lado da família e das pessoas de quem gosta. “A parte mais difícil é o confinamento e ficar longe deles (família e amigos), mas é preciso ter força e inteligência para lidar com as críticas”, conta à Dia-a-Dia.

E a jovem está longe de apenas ocupar o tempo cuidando da beleza ou ‘passando, num doce balanço, a caminho do mar’. Ela tem ligações com movimentos de empoderamento feminino e questão racial. Monalysa é a terceira negra a ganhar a competição no Brasil. A primeira foi Deise Nunes, do Rio Grande do Sul, em 1986, e a segunda, Raissa Santana, do Paraná, em 2016. “Acredito que as pessoas estão enxergando a negra como sempre deveríamos ser vistas: mulher como qualquer outra, que tem sua beleza, personalidade e luta. Por muito tempo fomos marginalizadas, mas hoje isso está mudando”, comemora.

A maior conquista de Monalysa – até agora – é estar tendo a chance de representar o Piauí que tanto ama. O Estado nunca teve candidata que conquistasse a coroa de miss Brasil e isso fez com que ela se sentisse orgulhosa, especialmente, por ostentar o cabelo crespo e a pele negra. “Somos mistura de raças e regiões, e eu represento não só a mulher negra e nordestina, mas todas as brasileiras que lutam para vencer as adversidades com gingado irreverente e sorridente. Represento a resistência. Tentei mostrar força, carisma, ousadia, determinação e isso é ter brasilidade, acredito que tenha sido o ponto-chave”, diz, se referindo ao momento da escolha dos jurados.

PRÓXIMOS PASSOS

Além de estar à espera de vencer o concurso Miss Universo 2017, que acontece em novembro, a jovem pretende retomar seus estudos. Ela também quer continuar na carreira de modelo e ser reconhecida ao trabalhar para grandes marcas do mundo da moda, como Victoria Secret’s. Por outro lado, não esquece suas origens. “Quero comprar uma casa para minha família e ajudar minha maninha a ter boa formação”, conta. Ela vive com irmã, mãe e irmão. O pai morreu quando a modelo tinha 5 anos.

Mesmo após sofrer ataques racistas na internet ao ser coroada, Monalysa ignora os comentários e não perde o foco no Miss Universo. Ela pretende mostrar novamente o que ofereceu durante o desfile em Ilhabela. “Quando entrei na passarela sabia que ali era o momento de mostrar quem eu era e o que gostava de fazer. Foi algo muito espontâneo. Me doei ao público, que correspondeu. Foi uma troca que deu certo, graças a Deus”, explica a jovem, que, além da coroa, ganhou contrato comercial, viagem para Dubai, carro, relógio e conjunto de joias em ouro branco. Toda poderosa, Monalysa nunca duvidou que “quando ela passa, o mundo inteirinho se enche de graça (…)” e muito mais poder, claro.

 



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