Fazer o bem sem olhar a quem

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Karine Manchini

Pensar no próximo é importante durante todo o ano, mas tem gente que faz muito bem o papel de Noel

 

Fotos: Nario Barbosa

Tudo fica muito bonito quando o Natal está chegando. As casas e estabelecimentos enfeitados com luzes e árvores coloridas se espalham por toda a parte. O espírito natalino incentiva, muitas vezes, as pessoas a se movimentarem para ajudar o próximo de diversas formas. Fazendo trabalhos sociais desde 2003, Carla Cristina Ribeiro, 42, de Santo André, recheia sacolinhas de Natal para crianças carentes. Com intenção de distribuir em diversos lugares do Grande ABC, a ideia de oferecer algo a quem não tem surgiu após casal de amigos de Carla, pastores em uma igreja da região, comentar que não tinha recursos para elaborar alguma coisa para os jovens da comunidade. Ela fez uma lista com mais de 60 crianças, em que registrou tamanhos de roupas e calçados. “Falei com minha mãe para ela ver com algumas amigas se cada uma poderia ajudar. Pedindo para um e para outro, fui conseguindo as coisas. A igreja me cedeu espaço e nós organizamos uma festa, assim foi nosso primeiro Natal”.

Após esse dia, as boas ações se tornaram corriqueiras. A mãe de Carla, dona Ermelinda, abriu os cômodos vazios que tinha em sua casa para guardar as doações e se dedicou a ajudar a filha procurando pessoas que pudessem colaborar. Organizada e sem nunca deixar faltar nada para os locais que serão auxiliados, a captadora de recursos tem diversos grupos nos aplicativos de mensagens do celular. Para garantir, ela pede as doações com muita antecedência. Este ano estão ajudando cinco instituições do Grande ABC, mas segundo ela, foi um ano difícil por conta da crise financeira que o País passa.

“Estou com 60 crianças e teve redução de quase 100, porque a situação financeira das pessoas não anda bem. Tem um casal que costumava pegar duas crianças cada um, como o rapaz está desempregado, só conseguiram apadrinhar dois desta vez. Os itens básicos que pedimos são uma calça ou bermuda e camiseta. O calçado pode ser tênis ou sandália, mas é fundamental que venha brinquedo. Pedimos, para quem puder, dar xampu, sabonete e pasta de dente. Não costumo pedir mais do que isso, mas tem gente que coloca doces, bolachas ou panetones, porque sabe que criança gosta. Há pessoas que doam até pijama”, conta.

Para não confundir os lugares que serão ajudados, Carla e sua equipe, composta por vizinhos e familiares, separa cada instituição pela cor dos embrulhos. Em sua residência é possível ver diversos pacotes coloridos esperando para serem entregues. Muito mais do que ajudar, ela e os voluntários fazem trabalho que pode ser considerado amigo do meio ambiente, pois utilizam papelão e papéis de presente usados para reciclar e criar caixas para embalar os pacotes.

Para deixar todas as ações oficializadas, Carla, sua irmã Daiana e a mãe decidiram registrar a Associação Amigos da Carlota, que, atualmente, está envolvida em diversos projetos sociais, inclusive na distribuição de marmitas para moradores de rua.

A equipe reúne em sua casa voluntárias para fazer comida que é entregue semanalmente. “Agora em dezembro faz dois anos que estamos com elas (marmitas), tenho doadores fixos que todos os meses dão itens como arroz e macarrão. É muito gratificante. Houve diversas situações que me marcaram, lembro-me de uma moça que estava desempregada e conseguiu essas habitações da prefeitura, a gente vinha auxiliando. Ela é batalhadora, arrumou emprego e conseguiu vaga na creche para as crianças. Mudou de vida! Às vezes, a pessoa só precisa de uma palavra em que ela saiba que pode contar com alguém no mundo”, relembra.

Além de todos os projetos que costuma fazer durante o ano, a andreense mantém em sua casa cadeiras de rodas, muletas e andadores que empresta para quem está precisando e não tem condições de comprar ou alugar. Quando questionada sobre o que a faz ter tanta disposição para ajudar o próximo, ela diz: “Tudo é uma questão de amor. Somente assim acabamos conseguimos grandes resultados com coisas que parecem tão pequenas”, finaliza.

APRENDIZADO CONSTANTE

O empresário Edson Luiz Cruzero, 49, de São Caetano, faz trabalhos sociais desde 2013. Arrecadando doações durante todo o ano e não somente no período natalino, centraliza o foco em pessoas que estão em situação de rua no Grande ABC. Ele e a mulher Sonia atendem cerca de 100 pessoas semanalmente, passando pelas cidades de Santo André, São Bernardo e São Caetano, onde distribuem alimentos e roupas. Durante os anos em que se dedicou para ajudar o próximo, ele percebeu mudanças em sua vida. “Aprendemos a ter mais paciência, amor, solidariedade a valorizar pequenas coisas que acontecem em nosso dia, que antes não percebíamos. Somos muito felizes com a vida que Deus nos deu e estamos tentando aproveitar o máximo cada instante com muita paz e alegria”.

A intenção de ajudar as pessoas surgiu por meio de seus avós, que sempre foram preocupados com a situação dos mais necessitados. Ele e sua mulher atualmente contam com apoio de diversos amigos que colaboram com roupas, alimentos, itens de higiene, entre outros. Um de seus trabalhos consiste em organizar festas dos anos 1970 e 1980 na região com seu amigo Roberto. Ao todo são quatro festas durante o ano e todo dinheiro arrecadado é revertido em ações sociais.

“Neste período conseguimos encaminhar três pessoas para retornarem ao convívio de seus familiares, além de muitos outros que foram para clínicas de recuperação. Uma dessas pessoas é um jovem natural do Piauí, que estava dormindo na região do Rudge Ramos. Ele veio para Capital em busca de uma vida melhor, não conseguia emprego e ficou dormindo na rua. Quando o conhecemos ele nos pediu ajuda para retornar para sua cidade. Fizemos rifas e arrecadamos dinheiro para a passagem, mantemos contato com ele até hoje. Está muito bem empregado em seu município”, diz.




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