Espaços para abusar do verde

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Karine Manchini

Paredes ou cercas vivas deixam o visual bonito e ajudam a refrescar o imóvel

Como tudo nessa vida, morar em cidade grande tem suas vantagens e desvantagens. Um ponto negativo e que incomoda muito nos grandes centros urbanizados é que eles são cercados por casas, prédios e indústrias, nos deixando restritos de contato com a natureza, principalmente com as plantas. Pensando em oferecer melhor proximidade com o verde, profissionais da arquitetura, paisagismo e decoração apostam nas paredes e cercas vivas, que oferecem estilo moderno, ajudam a refrescar o ambiente e são consideradas ecologicamente corretas.

Inúmeros são os tipos de plantas que podem ser usadas na decoração de paredes e que melhor se adequam e arborizam os espaços. O designer de interiores, especializado em sustentabilidade, Eduardo Kacinsks, de Santo André, alerta para a necessidade do dono do lugar conhecer quais tipos de plantas dão mais certo em alguns lugares do que em outros. “Para as cercas vivas, por exemplo, são necessárias plantas específicas para este tipo de paisagismo, as mais indicadas são arbustos, que tenham preenchimento rápido e uniforme.”

Para o caso das cercas vivas, que são usadas em ambientes externos, as melhores opções são murta, hibiscos, alguns estilos de bambu, podocarpo e azaleia, entre outros. Para as paredes verdes, que podem ser usadas tanto em áreas internas quanto externas, de casas, apartamentos ou escritórios, as mais indicadas são as samambaias, barba de serpente, colar de pérola, flor canhota, jibóia, aspargo e véu de noiva.

“Existem alguns fatores que devemos respeitar, o primeiro está relacionado à parede onde será montado esse jardim. Não podemos esquecer que plantas têm muita umidade e dependendo do tipo de estrutura usada poderá umedecer a parede, causando danos à pintura e ao lado oposto do ambiente. Para locais fechados, como terraços envidraçados e com pouco sol, as plantas mais indicadas são as que se adaptam melhor na sombra.”

De acordo com o profissional, os custos para a elaboração de projetos de paisagismo podem variar bastante. Um jardim vertical, com o melhor sistema sustentável, aquele em que a tecnologia de irrigação possibilita a mistura entre produtos para tratamento das folhas, com a necessária quantidade de água para a planta, por exemplo, chega a custar, em média, entre R$ 800 e R$ 1200 o metro quadrado. Já um projeto mais simples, que contenha apenas as plantas, a estrutura de adaptação das espécies e a colocação da água manual, pode chegar a R$ 100.

Outra dica importante para quem quer planejar esse tipo de decoração são os tipos de suporte que podem ser usados. Para paisagismos mais sustentáveis, Kacinsks indica madeira, ferro e plástico, que são considerados recicláveis. Outros tipos que podem ser feitos com materiais recicláveis são os de palets, garrafas pets, vasos plásticos e de cerâmica.

“Hoje existem no mercado vários tipos de estruturas. As mais sofisticadas são os que têm sistema de irrigação, que mantém as plantas sempre umedecidas. São ecologicamente corretas e deixam o ambiente sempre fresco e úmido, dando a sensação de conforto com boa economia”, explica o designer.

Para o arquiteto Thiago Papadopoli, a procura de projetos desse tipo, depois do surgimento dos sistemas de irrigação, têm crescido bastante. “A maioria das pessoas quer ter, mas não tem tempo de cuidar. Por ser um pouco caro está aumentando gradativamente. A tendência é que os verões fiquem cada vez mais quentes, por isso, acredito que o uso se popularize pela questão de tirar calor, usando plantas que não sejam pesadas visualmente.”

O tempo de execução de um projeto de paisagismo é relativo, pois depende do suporte escolhido pelo cliente e o lugar onde está sendo feito. “Quando é interno aumenta o tempo para a montagem, mas é recomendado que seja feito no fim da obra, para que as plantas não sejam danificadas”, alerta Papadopoli.

O arquiteto reforça a necessidade de manutenção constante das paredes verdes. “Não difere de vaso comum, alguns tipos podem ter sistema de irrigação próprio, em que a mangueira abre sozinha e vai gotejando na planta. Nessa água já estão misturados nutrientes e é um tratamento passivo. Mas você pode irrigar e podar normalmente, independentemente do sistema escolhido. Varia do tipo de planta e do tipo de localização do sol”, detalha.

COLORIDA

Optando por uma parede florida e que trouxesse visual natural, a psicóloga de Santo André, Melany Ota Takashima, 60 anos, escolheu um projeto com orquídeas. Em sua sacada fez dois tipos diferentes de paredes verdes. Em um lado somente com folhagens e em um suporte de madeira fez um jogo com diversos xaxins e colocou várias orquídeas para conquistar um visual colorido em seu imóvel.

Para a psicóloga, esse tipo de paisagismo não dá trabalho na hora de cuidar. “Não tinha feito nada assim antes e gostei muito. Eu tenho uma escadinha e coloco água para elas na parte de cima e não tem problema nenhum, fica muito refrescante (o ambiente).” Segundo ela, como sua sacada é envidraçada, é possível abrir o tanto que ela deseja conforme a mudança do clima. “Assim, as plantas recebem a devida iluminação e vento”, explica Melany, que recomenda o projeto também pela variedade em que pode ser feito em espaços pequenos.

 



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