Coleguinhas do Brasil

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Miriam Gimenes

Simone e Simaria, expoentes do ‘feminejo’, investem no sonho de cantar e ganham o Brasil

Se no dicionário a palavra colega corresponde a pessoa que pertence à mesma comunidade, corporação ou profissão do que a outra, há um certo tempo, pelo menos no País, ela ganhou outra significação: Simone & Simaria. Com um adendo diminutivo e plural, as Coleguinhas – com são chamadas por legião de fãs pelos quatro cantos –, que começaram a carreira no forró, imprimiram seus nomes na música sertaneja e dela se tornaram expoentes. São ícones do chamado feminejo. Feito para um ‘mundo’ que até pouco tempo era quase que predominantemente dos homens, assim como acontece em vários outros setores da sociedade.

Nascidas em Uibaí, na Bahia, em 1982 (Simaria) e 1984 (Simone), as irmãs sempre foram apaixonadas por música e contaram com o incentivo dos pais para persistir na carreira. “Crescemos cantando, foi natural. Eu, desde muito criança, já cantarolava as músicas de Milionário e José Rico, não sabia falar direito, mas já era afinadinha (risos). Quando completei 6 anos, meu pai começou a me levar para participar dos concursos de calouro da cidade onde morávamos; Simone ainda era muito pequena naquela época, mas, depois de alguns anos, começou a cantar comigo e, todos que participávamos, ganhávamos. Meus pais perceberam que tínhamos talento desde cedo”, lembra Simaria.

A morte precoce do pai, que era garimpeiro, levou as economias da família, já escassas, a serem reduzidas a zero. O sonho de achar uma pedra preciosa e mudar de vida também acabou. Mas a ideia de viver da música não. Simaria veio para São Paulo, onde começou a ganhar destaque como back vocal do cantor Frank Aguiar. Mais tarde, Simone juntou-se à irmã. Trabalharam com o cantor piauiense durante sete anos, sempre ao som de forró.

Mas foi quando migraram para o sertanejo, em meados de 2012, que as coisas começaram a mudar. Juntas, em destaque em cima do palco, elas passaram a ser vistas, no real sentido da palavra. E o sucesso, com músicas que falaram de amor, traição, sofrência e bebedeira, não demorou para vir.

Ganharam a escala nacional quando lançaram o segundo DVD, Bar das Coleguinhas, em 2015. Uma das músicas da lista, Quando o Mel é Bom, teve mais de dez mil visualizações no YouTube à época e alcançou a 14º posição na Billboard Brasil Hot 100, tabela musical publicada mensalmente pela revista Billboard Brasil. O projeto foi gravado em Fortaleza em novembro de 2014 e contou com as participações de Wesley Safadão, Tânia Mara e Gabriel Diniz.

Em 2016, a dupla gravou o terceiro DVD da série na cidade de Goiânia, desta vez com a participação das duplas Bruno & Marrone, Jorge & Mateus e participou do primeiro DVD do cantor Felipe Araújo, irmão de Cristiano Araújo, intitulado Ao Vivo em Goiânia, na faixa Me Chama Outra Vez. Já em julho do ano passado veio a cereja do bolo: foram confirmadas como novas juradas do talent show The Voice Kids, da Rede Globo, substituindo a dupla Victor & Leo. E, também em 2017, elas conquistaram o primeiro lugar no ranking da Connectmix com a música Loka feat Anitta. Ao todo, o hit foi tocado 773.242 vezes durante o ano, sendo a música mais executada nas rádios de todo Brasil. O sucesso rendeu o Prêmio Multishow de hit chiclete e vendeu mais de 1 milhão de unidades digitais.

As irmãs estão felizes com os números e com o espaço alcançados, mas ressaltam a importância que as cantoras do gênero conquistaram anteriormente. “Na verdade, sempre tivemos mulheres na música sertaneja que nos representavam muito bem, como Roberta Miranda, As Galvão, Paula Fernandes... A diferença é que hoje existe a força de várias representantes ao mesmo tempo. Para nós, quanto mais mulheres talentosas forem reveladas, melhor”, diz Simaria. Ela se refere ao boom dos últimos anos, com o ‘surgimento’ de nomes como Naiara Azevedo, Paula Mattos, Marília Mendonça e Maiara e Maraísa.

Só neste ano – em apenas dois meses –, as irmãs emplacaram quatro faixas na maior plataforma de streaming do mundo, o Spotify, na playlist entre as 50 mais tocadas no Brasil, com os hits Ta Tum Tum, com MC Kevinho (primeiro lugar), Regime Fechado (20º lugar), Raspão, de Henrique e Diego com participação de Simone e Simaria (22º lugar), e Paga de Solteiro Feliz, das irmãs com participação de Alok, em 31º lugar do ranking de músicas mais ouvidas.

E o sucesso não para de crescer. Elas acabam de anunciar parceria com a cantora Laura Pausini, na faixa Novo, que estará no próximo álbum da artista italiana, Fatti Sentire, previsto para ser lançado este mês. A canção, que tem um ‘quê’ de pop, vem acompanhada de clipe. A notícia do convite de Laura chegou primeiro a Simaria, que confessa a surpresa e o momento radiante que foi receber a notícia “Respondi na hora: Morri”, lembra, aos risos.

Não à toa, seus vídeos têm mais de 1,5 bilhão de visualizações no YouTube – somando seus dois canais – e mais de 26 milhões de seguidores.

APELIDO

Voltando à alcunha pela qual são chamadas por todo País, Simone explica se divertindo: “Veio da minha mãe, que chamava todas as amigas de ‘coleguinhas’. Aí, nos nossos shows, começamos a falar a frase 'vai coleguinha' para fazer as pessoas mexerem. Pegou!”. A irreverência e espontaneidade, marcas registradas da dupla, fizeram elas se sentirem à vontade ao sentarem nas cadeiras vermelhas do The Voice Kids, programa dominical.

Ao lado de Carlinhos Brown e Claudia Leitte, veteranos no formato, Simone e Simaria – que desde a estreia viraram as ‘rainhas dos memes’ por conta das reações que têm no programa – vão do riso às lágrimas em questão de segundos. “Quando crianças, participávamos muito de concursos de calouros e festivais. Durante as gravações, nos transportamos para muitas daquelas situações. É muito mágico e forte reviver estes momentos, passa um filme na nossa cabeça. Além de cada criança que passa por aquele palco, que nos ensina e, também, aprende conosco. Nós também estamos aprendendo muito com a Claudinha e o Brown. Carlinhos é um ser abençoado, de luz, que respira poesia e música, estamos admiradas! São tantas coisas boas que têm acontecido na nossa vida, na nossa carreira, que só agradecemos a Deus por todos esses presentes”, diz Simone.

Também, para duas mulheres com o instinto maternal aflorado, é impossível o coração não derreter ao ver um pequeno cantar. Simone é mãe de Henry, 3, filho da cantora sertaneja com o piloto de avião Kaká Mendes. Já Simaria, casada com o espanhol Vicente Escrig – a quem conheceu pelo Orkut –, é mãe de Giovanna, 5, e Pawel, 2. E ficar longe deles, ressaltam, é o único ônus que tiveram com a fama. “O lado bom é poder proporcionar uma vida melhor para nossos familiares e filhos, além, é claro, de poder levar a nossa verdade, nossa música para os fãs. O ônus é a distância de casa, dos nossos filhos”, diz Simaria. Que acrescenta: “Nossa agenda é muito corrida, mas procuramos sempre conciliar a logística para vê-los. Quando ficamos muitos dias longe de casa, tentamos levá-los junto. O bem mais precioso que temos é a nossa família, por isso nos desdobramos para estar ao lado deles”.

NA INTIMIDADE

Ainda que viagem muito – a rotina de shows e gravação do programa são intensas, como disseram há pouco –, as duas, que são belíssimas e, inclusive, acabam de virar garotas-propaganda de uma marca de lingerie, já revelaram mandar nudes para os parceiros para apimentar a relação e apaziguar a saudade.

E garantem: embora nas letras das músicas seja fácil falar de traição, na vida real não levam o assunto da mesma forma. “Rapaz, se ele me trair eu não sei qual seria a minha reação. A gente só sabe depois que passa. Agora, podemos falar perdoou ou não perdoou, mas só sabemos da reação quando acontece. Espero nunca passar por isso, mas acredito que não perdoaria”, diz Simone. Já Simaria é mais taxativa: “Traição eu não perdoaria. Sou muito séria com as minhas coisas, correta. Se o cabra me trair, meu amor, o brinquedo dele cai (risos). Com o meu gênio, não dá para aceitar uma traição. Tenho certeza de que, se eu voltar, acabaria jogando na cara dele todo dia que me traiu. Mas isso não é certo. Quando você decide perdoar uma traição, você não pode nunca, jamais, passar na cara da pessoa. Ou então, meu filho, a sua relação vai virar um inferno e nunca mais vai dar certo”.

E se na vida pessoal o auge da felicidade já foi atingida, com a construção de uma família cercada de amor, na carreira o melhor ainda está por vir. Elas querem mais. A ideia agora é romper as fronteiras tupiniquins e, assim, conquistar fãs em outras línguas. “Temos o sonho de levar nossa música para outros países, em fazer carreira internacional. Aguardem que vem coisa boa!”, promete Simone. É bom, portanto, já começar a treinar os ouvidos para atender os outros idiomas. Isn't it, classmates? (Não é, coleguinhas?). Se depender da determinação e talento, o céu é o limite para elas.

 

 

 

 

 




Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2018. Todos os direitos reservados