Eu só vivo de sonhos

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Daniela Pegoraro

Designer andreense, Marcelo Rosenbaum se dedica a projeto que resgata tradições

O nome Marcelo Rosenbaum soa familiar na cabeça de muita gente. É um dos designers mais conhecidos do País, principalmente por ter participado por tantos anos do quadro Lar Doce Lar, no programa Caldeirão do Huck, na Rede Globo. Com o desejo de democratizar o acesso ao design e à arquitetura, reformou e transformou os lares de inúmeras famílias em apenas dez dias, utilizando de sua criatividade e seu talento. Ainda com o rosto estampado na televisão, apresentou também, por um período, o programa Decora, na GNT, que tem a premissa de reformar um cômodo específico.

Mas o andreense já arregaça as mangas na profissão há muito mais tempo. Nascido em 1968, trabalha na área desde os 17 anos, quando projetou loja para sua sogra na época, ao mesmo tempo em que cursava design na Faculdade de Belas Artes, em São Paulo. Quando questionado pela Dia-a-Dia sobre quando surgiu seu interesse pela área, ele brinca: “Acho que quando estava dentro da barriga da minha mãe”. Rosembaum passou temporada na Alemanha, onde estudou com Andreas Weber, conhecido como o pai do estilo high-tech alemão, além dos anos trabalhando com desfiles de modas e cenografias.

Há mais de 20 atuando profissionalmente no ramo com seu escritório, o designer desenvolve série de projetos, sendo, atualmente, A Gente Transforma o que mais está fazendo seus olhos brilharem. Nele, a equipe de Rosenbaum viaja e vivencia a rotina de comunidades marginalizadas, restabelecendo tradições e utilizando da cultura para gerar renda e forma de viver à população. Essa metodologia, desenvolvida desde 2010, foi batizada de design essencial e ganhou até um curso na Belas Artes. “A questão é de como incentivar e colocar na rede arquitetos com consciência de realizar projetos que terão transformações na vida das pessoas”, diz.

 

A metodologia em questão foi tema da palestra ministrada durante a ABCasa Fair, em fevereiro. Reunindo centenas de visitantes na feira de artigos para casa, o designer apresentou suas experiências com o projeto durante os últimos sete anos. Os objetivos que guiam o caminho de Rosenbaum são o de desenvolver coleções e designs a partir de tradições e técnicas ancestrais, além de trazer força, reconhecimento, autonomia e valorização histórica das comunidades, a fim de recuperar a cultura local. No Peru, por exemplo, desenvolveu o projeto em conjunto com grupo de tecelãs. A pergunta inicial do projeto é básica e fundamental: “O que a sua avó fazia?”. Com as tecelãs, construiu coleção de cama, mesa e banho com elementos do cotidiano da comunidade. O alcance foi tanto que a coleção ganhou exposição em Milão. “É a valorização de uma arte que fica escondida”, enfatiza.

Para ele, a importância de combinar o design com a questão social é trivial. “A pessoa precisa se conectar com as tradições e colocá-las de uma forma contemporânea, com novas tecnologias. Isso gera outro significado e o povo começa a valorizar sua própria cultura.” Ao que parece ser o ápice de sua carreira, Rosenbaum conta que ainda tem muitos sonhos a serem concretizados. “Eu só vivo de sonhos. Fico sonhando e tentando fazer acontecer”, confessa. Qual o maior desejo de vida do andreense? Essa foi difícil de Rosenbaum responder, mas ele deu dimensão do que seria. “O sonho de fazer o sertão um lugar com sombra e água fresca”, finaliza.

NOVIDADES NO SETOR

Há dois anos, às margens do Rio Tietê, o Expo Center Norte abriga feira de decoração. Organizada pela ABCasa (Associação Brasileira de Artigos para Casa, Decoração, Presentes e Utilidades Domésticas), a ABCasa Fair apresenta tendências do segmento. Em fevereiro, ocorreu a segunda edição, aberta a profissionais da área. Em quatro dias, o evento reuniu cerca de 400 expositores – sendo oito deles do Grande ABC – que ocuparam área de 70 mil metros quadrados.

Quem passou por lá, viu um pouco de tudo: artigos para festas, decorações para casa, bolsas, espelhos, quadros e utensílios de cozinha. Difícil destacar o que mais foi exposto, pois grande variedade foi apresentada. Dá para se destacar, por exemplo, desde estampas de unicórnios até grandes objetos de cristal. Bárbara Navais trabalha em escritório de arquitetura e foi ao evento procurar por decorações. O que mais agradou a arquiteta foi a diversidade de abajures e cadeiras. “Algumas bem abaixo do preço”, observa. Foi possível encontrar artigos de R$10 (canecas) a R$ 980 (espelhos personalizados e esculpidos de mármore).

A ABCasa nasceu há pouco mais de um ano, antes com o nome House & Gift Fair, da necessidade do setor em se reunir, sendo a primeira associação do segmento, com 420 participantes até então. O presidente da ABCasa, Renato Orenszentjn, explica que os objetivos vão além da realização da feira. O sentido é impulsionar a área. “O mercado não tem entendimento de quanto ele gera, ainda não existam números oficiais”, conta. De acordo com o presidente da associação, a próxima feira está sendo marcada e deve acontecer ainda este ano, em agosto.

 




Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2018. Todos os direitos reservados