Inocentes se entendem

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Marcela Munhoz

Uma das grandes preocupações das famílias que têm animais de estimação é aproximá-los dos bebês. São muitas as dúvidas. Será que o pet vai ficar agressivo? Será que a criança pode conviver em ambiente com pelos? Será que serão amigos? Apesar de cada caso ser um caso, e cada animal e criança terem personalidades e temperamentos diferentes, tudo dá certo no fim. Porém, para que isso aconteça de forma mais segura, o casal precisa 'preparar o terreno' assim que souber que virá um novo morador por aí.

“Sempre quisemos que a Breja (uma dálmata de 6 anos) fizesse parte de tudo. Pegava a pata dela e colocava na minha barriga. 'Apresentei' a Cecília, 5, e o Felipe, 1 mês, para ela. Explicava que não poderia mais subir no sofá, pelo menos no começo, e que a vida dela ia mudar um pouco”, explica Verônica Lima de Souza, 38. Ela e o marido aprenderam que era importante entregar para a cachorra uma roupa usada pelos bebês na maternidade e, quando chegassem, a deixassem 'cheirar' as crianças. “Isso ajudou. A impressão que tenho é que a Breja nunca se sentiu excluída ou com ciúmes. Parece até que entende como é importante ajudar. As pessoas falavam que a gente deveria ter cuidado, que a cachorra poderia morder, mas acho que fizemos a lição de casa direto”, conta, orgulhosa.

Segundo a médica veterinária da Cobasi, Juliana Didiano, as atitudes da família foram importantes e acrescenta: “É bacana deixar o cão e o gato se ambientarem com o quarto e os objetos do bebê. Eles costumam marcar território”, explica. Quando a criança chegar, evite, na medida do possível, excluí-los. “Eles precisam sentir o cheiro, estar por perto. Boa ocasião é na amamentação, por exemplo. Ter contato diminui o estresse.” É essencial também manter a rotina. Continue passeando, brincando e fazendo carinho. O pet precisa saber que ainda faz parte da família.

Antes de a criança chegar, Juliana pontua que é preciso providenciar um check up – atualizar vacinas e medicamentos –, cuidar das unhas, dar banho e tosar o cão, já que nos primeiros meses os pais estarão ocupados. “Não tem jeito, o pet fica em segundo plano por um tempo.” Em relação a gatos, é bacana cortar as unhas e escová-los – se eles deixarem – para tentar diminuir a quantidade de pelos soltos. Cães e gatos, aliás, costumam reagir de formas diferentes. O cachorro quer chamar a atenção e acaba fazendo xixi em lugar errado, por exemplo. Já os gatos tendem a se esconder e até parar de comer.

Mesmo com essas medidas, caso o animal tenha um temperamento mais difícil é interessante procurar profissionais especializados em comportamento. Eles vão ajudar a encontrar a melhor forma de socialização. “Infelizmente, tem gente que abandona os pets quando o bebê chega. Essa não é a saída”, enfatiza a veterinária. Verônica concorda. “Os animais ensinam muito. Mostram o que é amar, respeitar e cuidar” , finaliza.




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