Das ruas para dentro de casa

Envie para um(a) amigo(a) Imprimir Comentar A- A A+

Compartilhe:

Vanda Moura

Com a valorização do grafite como forma de arte, técnica tem se transformado cada vez mais em opção de decoração para ambientes internos


Basta uma pequena caminhada pelas ruas de qualquer cidade grande para apreciar arte. Muros e fachadas há muito tempo se transformaram em grandes murais para que artistas se expressem, trazendo um pouco de cor e personalidade ao cinza concreto das metrópoles e conquistando, assim, milhares de apreciadores.
Mas já pensou trazer esses grandes murais cheios de vida e cor para dentro de casa? Com a valorização do grafite, muitas pessoas, diante do desejo de ter em seu espaço uma decoração única e original, têm transformado as paredes de casa em telas em branco. “Acho que é uma tendência. Cada vez mais as pessoas têm optado por este tipo de decoração”, afirma a arquiteta e urbanista Nicole Finkel.
Apesar de todos os pontos positivos, é preciso ficar atento a série de detalhes antes de dar início à pintura propriamente dita. Antes de mais nada é necessário escolher o estilo do desenho, que deve ser agradável a todos os moradores do local. Para isso, o passo inicial é entender se a obra deve expressar figuras abstratas, frases, desenhos de filmes ou mesmo séries famosas. Se deve ser colorida, preta e branca, com formas preenchidas ou apenas traços. “Quando o cliente compartilha o desejo, a primeira recomendação que indico é fazer uma pesquisa na internet e salvar referências. Com isso em mãos, analisamos juntos a viabilidade”, acrescenta.
Nicole explica ainda que não existe errado na hora de decorar um ambiente, mas por se tratar de algo que ficará ali, fixo na parede, é necessário pensar com calma nos detalhes do desenho, para que a decoração do espaço fique harmoniosa. “Tem de ser em parede que a pessoa não vai ficar olhando o tempo inteiro para não enjoar, porque não é algo que você tira e põe há qualquer hora como uma obra de arte, foto ou quadro”, ressalta.

Ela ainda reforça que, além dos detalhes do desenho, a escolha do ambiente onde a arte será aplicada também deve ser feita com ressalvas. Segundo ela, não é em qualquer espaço que ficará boa. “Acho interessante em sala de estar, de jantar, no quarto. Em lavabo, por exemplo, eu não colocaria.”
Outro detalhe é a escolha de quem irá executar a pintura. Após ter claro em mente o tipo de desenho que se deseja, encontrar o profissional que tenha traços e estilo que mais se aproximam da personalidade do cliente é essencial.
Danilo Yamamoto, de São Caetano, é artista visual e designer e há três anos se dedica a projetos de grafite em ambientes internos. Seu processo criativo começa com a visita ao cliente que deseja um mural. “Conversamos um pouco para eu entender quais são os propósitos dele com aquela pintura”, conta. Na sequência, uma prévia do desenho é apresentada. “Normalmente faço um esboço do original, mas em miniatura, e mostro para aprovação. Depois parto para a parede”, explica.
Além disso, ele relata que durante a visita ao cliente gosta de sentir o ambiente para dar algumas sugestões do que pode ficar melhor em cada lugar. “Gosto de ir no lugar e sentir o que vai encaixar, quais layout, formato, disposição, quantas cores. Então, sempre que possível faço sugestões, a não ser que o cliente já venha com alguma coisa pronta”, acrescenta.

O que difere um mural de rua de um desenho em ambiente interno, para grande parte dos artistas, é o material utilizado na realização da pintura. Ao contrário das externas, que geralmente são produzidas com tinta spray, resultando em desenho com traços um pouco mais grosseiros, em pinturas internas os artistas preferem material que permite dar traço mais delicado e desenhos mais detalhados.
Por isso, assim como Yamamoto, outros profissionais optam por utilizar canetas tipo marcador de tinta pigmentada à base de água, que pode desenhar em diversas superfícies como tecidos, quadros, painéis e paredes. “Para mim é mais fácil, mais rápido para produzir um trabalho. Porém, quando o local é impossível de ser feito com caneta, utilizo outras ferramentas como spray, tinta látex, pincel, tinta acrílica. Não fico muito preso a materiais”, esclarece Kleverson Mariano, ilustrador e muralista, de São Paulo, que trabalha com pinturas em ambientes internos desde 2011, quando se profissionalizou na área.
Para quem deseja incluir um mural de grafismo em casa, o custo é variado e depende muito de um artista para outro. Mariano explica que a maioria cobra por metro quadrado e o valor pode partir de R$ 200 a mais de R$ 1.000 por metro quadrado. Há ainda a opção de preço fechado por projeto. “O valor varia muito de cada artista. É delicado falar de valores porque cada um cobra de uma forma diferente”, finaliza.
 




Diário do Grande ABC. Copyright © 1991- 2018. Todos os direitos reservados