Mi perro argentino

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Marcela Munhoz

Quando digo que o amor entre humanos e animais vai além do que se pode imaginar, tem gente que duvida. 'Ah, mas você está exagerando. É só um bicho.’ Não quero entrar no mérito de como cada um cuida do seu pet, mas quem escuta o coração e se deixa conquistar verdadeiramente por esses seres iluminados, especialmente os adotados, não costuma se arrepender. Pelo contrário. Repara só na história que vou contar.

O casal Priscilla Duarte, 25, e Paulo Henrique Bojunga, 29, troxe um cachorro de Buenos Aires para o Rio de Janeiro. Eles superaram não só julgamentos – a começar pelos veterinários argentinos, que acharam a ideia um absurdo e impossível de ser realizada –, como também gastaram dinheiro e enfrentaram enorme burocracia (foram quatro meses) até, finalmente, poder ficar com Leonardo Padura (homenagem ao escritor cubano, de O Homem Que Amava os Cachorros).

O encontro de Leo com a dupla foi durante viagem dos namorados para a capital argentina. Priscilla lembra que o vira-lata estava no Centro da cidade e que virou a barriga para receber mais carinho. “Ele chorava muito, isso me comoveu. Tentamos ir embora, mas Leo seguiu a gente o tempo todo. Até que aproveitamos a manifestação para despistá-lo. Ele ficou desesperado. Não aguentei”, conta. “A felicidade que mostrou quando voltamos foi o que nos convenceu: Leo era nosso cachorro.”

Após recusa do hotel, Priscilla e Paulo, por meio do aplicativo Dog Hero (que encontra cuidadores para os pets ao redor do mundo), conseguiram lar provisório com a argentina Kysbel González até que eles conseguissem trazê-lo ao Brasil. Para viajar, Leo precisava ser vacinado (pelo menos 30 dias antes) e ter a documentação necessária. Se viesse pelos ares, teria de ser transportado em jaula específica e em avião de carga. Tudo absurdamente caro. “No começo, não achamos que seria tão difícil. Falei com muita gente, fiz vários orçamentos, foi complicado”, conta Priscilla.

A solução? Trazer Leo por terra. A Táxi Dog se envolveu na história e fez preço acessível. Junto da Dog Hero, que pagou parte do transporte, trouxe Leo para sua nova cidade, o Rio de Janeiro. Leo foi morar em Petrópolis e, em pouco mais de uma semana, já está superacostumado ao seu lar. Ele tem ‘três’ irmãos cachorros, todos resgatados. “Está muito adaptado. Dorme tranquilo, brinca. É um amor. Leo é um verdadeiro príncipe.” E, assim como nos contos de fadas, eles foram felizes para sempre. Duvida agora?

 

 




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