Novos ares da casa

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Tauana Marin

Plantas e flores, que embelezam e dão vida ao ambiente, merecem cuidados especiais.

Plantas e flores dão vida à casa. Presentes em muitos lares, elas são peças-chave em ambientes e fazem parte da decoração. Mas, como todo ser vivo, merece cuidados especiais. O mais importante deles é deixar que recebam luz, já que sem acesso à claridade é difícil mantê-las vistosas e vivas. 

Caso a planta fique em um corredor, mais longe da janela e, portanto, dos raios de sol, as espécies sansevieria cylindrica, também conhecida como lança-de-são-joge, e o bambu da sorte são as mais indicadas para colocar no lar. Já quando o vaso fica ao lado da janela principal, onde, geralmente, muita luz adentra o local, as opções aumentam, como a yucca verde, palmeira-ráfia, ficus (árvore muito popular, utilizada principalmente na decoração de ambientes internos), dracena pleomele ou o lírio da paz de maior porte. “Essas últimas opções já são plantas de porte médio,  que ficam entre 70 centímetros e 1,5 metro. São bastantes tradicionais em cantos de salas de estar, por exemplo. Cozinhas, banheiros e quartos, desde que sejam bem iluminados naturalmente, também podem ser ambientes para as plantas. No caso do banheiro, não é o vapor que faz mal, mas, sim, a falta de luz”, revela o arquiteto e paisagista da A Varanda, Floricultura e Paisagismos, de Santo André, Leandro Arigoni, 46 anos. 

Nesses casos, os vasos de cerâmicas ou madeira, por exemplo, variam de R$ 60 a R$ 1.000, dependendo do gosto, tamanho e do bolso. No caso de colocar uma planta na parte interna da residência, como a palmeira-ráfia, o investimento varia de R$ 100 a R$ 150, dependendo da muda, podendo chegar a R$ 500. 

Se a ideia é gastar menos e colorir a casa, há muitas opções para se colocar sobre a mesa de jantar, por exemplo. Mudas coloridas como antúrio, bromélia, maranta, catléia ou mesmo o lírio da paz prometem dar um ar especial na decoração. “O gasto para essas opções gira em torno de R$ 15 a R$ 70. No entanto, são plantas cujas flores são sazonais. Bromélias e antúrios podem permanecer bonitas entre três ou quatro meses, mas tudo dependerá dos cuidados”, reforça o paisagista. 

CUIDADOS

A quantidade de água que a planta precisa, por exemplo, faz com que muitas pessoas cometam erros. “Regra básica: todos os dias coloque o dedo na terra. Se ela estiver úmida, não encharcada, úmida mesmo, significa dizer que a planta está hidratada. Isso deve ser feito todos os dias. Vasos maiores armazenam mais o líquido, diferente daqueles vasos que ficam pendurados, de maior porte, cuja água toda sai pelos orifícios debaixo do vaso. Tem plantas que precisam ser regadas uma vez por semana, outras, todos os dias. Por isso a importância de observar a terra sempre”, conclui Leandro. As estações do ano também influenciam. No inverno, assim como nós, as plantas consomem quantidade de água menor do que no verão. Fazer podas sazonalmente e aplicar adubos (uma vez ao mês) também fazem bem às plantinhas e as mantêm mais bonitas.

O leque de opções para plantas que ficam dentro de casa é menor. “Em se falando de sacada ou quintal já ampliamos as possibilidades”, comenta o especialista. “É também importante dizer que plantas não gostam de vento, mas de estarem bem hidratadas, ter luz do sol e do quentinho, como se fosse uma estufa, na medida certa, claro. Quando falamos em varanda é outro capítulo, por ser um ambiente mais amplo”, avalia Leandro. 

Árvores frutíferas são destaque, como jabuticabeira, pitangueira, pois, além de darem frutos até quatro vezes ao ano, têm folhas e flores que chama a atenção. Os preços podem variar de R$ 150 a R$ 400. Na varanda, as plantas pendentes também ganham destaque, como begônias, hera e columeia. “Há varandas que permitem ainda os modernos jardins verticais, que aconselho utilizar madeira de cruzeta, por serem mais fortes. Dependendo da estrutura, um sistema de irrigação automático é implantado”, explica o paisagista. Os investimentos nesses sistemas são mais caros, entre R$ 1.000 e R$ 2.000 o metro quadrado. Se o orçamento não permitir, uma opção bonita e moderna são as molduras de madeira, com plantas mais resistentes e que têm o lugar correto para colocar. Cada sai por R$ 120, em média.  

QUERIDINHAS DA VEZ

As suculentas estão em alta e são bastante procuradas para compor os ambientes da casa. Além de serem fáceis para cuidar, há mudas a partir de R$ 3. Nesse caso, precisam de bem menos água mesmo adorando ficar expostas à luz do sol. Pode-se deixar em minivasos, fazer terrários (como dentro de vidros) ou até mesmo colocá-las em molduras de madeira (com lugar para os vasinhos) que são penduradas na parede. Há muitas opções em relação às cores também.

KOKEDAMA

Uma técnica japonesa tem deixado sacadas e ambientes internos mais charmosos. Chamados de kokedamas, as plantas ficam suspensas (no caso de serem peduradas), sem a necessidade do vaso. É uma espécie de bola de terra, coberta por musco com linhas – responsáveis por boa parte do visual. Há sete meses a terapeuta ayurveda Thaisy Pauli Gimenes, 34 anos, de São Paulo, se encantou com a técnica e passou a fazer sob encomenda. “Meu marido fez workshop porque gosta muito de planta e chegou em casa com as amostras. Fiquei apaixonada. Nessa época era próximo ao Dia dos Pais e fomos comprar as coisas para fazer um (kokedama) para o pai dele. Daí em diante resolvi fazer um curso para me aperfeiçoar. Fazer kokedamas é espécie de terapia”, conta. O que começou vendendo a amigos, pessoas próximas, hoje virou negócio, com opções a pronta entrega, inclusive. O trabalho pode ser conferido em página do Instagram kokedama.sp. 

Segundo a terapeuta, essa técnica surgiu no Japão por conta da falta de condições de algumas pessoas em comprar vaso e cultivar bonsais (miniárvores japonesas), já que o kokedama tem custo menor e é sustentável (uma vez que não faz uso do plástico). “Lá eles não costumam pendurar a planta, mas sim utilizam sobre os móveis, por exemplo”, explica Thaisy. 

O arranjo pode ser feito com a maioria das plantas, no entanto, é preciso entender a necessidade de cada espécie. “Algumas se desenvolvem bem em terra mais areiosa, outras, na terra mais pura ou com cascalhos. Por isso, a primeira coisa é saber qual o solo para montar  (geralmente com a mesma em que a muda vem plantada), faço uma espécie de bolinha e depois amarro com linha de costura. Mas existem várias outras técnicas. Podemos deixar por fora musco ou amarrá-las, por exemplo. O kokedama, sem sombra de dúvidas, é um artigo de decoração, além de nos dar a oportunidade de sentir o cheiro da terra, de observar a umidade.” A recomendação é a de que seja feita manutenção após um ano, para que o conjunto não apodreça. Orquídeas ficam lindas, mas não duram. “Plantas tropicais como samambaias, ou mesmo as heras (trepadeiras), vão muito bem como kokedama e custam em torno de R$ 70 até R$ 120. Quando entrego dou ao cliente um manual de como cuidar”, enfatiza a especialista. 

No caso do bonsai com essa técnica, a pessoa vai desembolsar entre R$ 120 e R$ 250. Se for um de três anos florido, o preço médio é de R$ 180. “O bonsai, se bem cuidado, dura por décadas.”

No caso específico do kokedama o ideal é colocá-lo num balde d'água para hidratar, já que o líquido borrifado não penetra em sua raiz. Já a durabilidade da planta nesta técnica é como no vaso, tem a sazonalidade específica. “No outono vão definhar, no inverno é preciso fazer a poda. Nenhuma dura o ano todo ou floresce sempre, por isso é importante escolher uma muda que lhe agrade as folhagens”, aconselha Thaisy.

 



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