Para pensar

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Miriam Gimenes

Os ambientes de trabalho têm de estimular a criatividade e amenizar o estresse do dia a dia; para tanto, confira dicas de especialista

Quem acha que a decoração não influi na atmosfera do ambiente tem de rever seus conceitos, principalmente no que diz respeito àqueles usados para estimular a criatividade. Pelo menos é o que alerta a especialista em ambientes de trabalho e neuroarquitetura no Brasil Priscilla Bencke. Segundo ela, o local de trabalho afeta diretamente nossas emoções e comportamentos.

   “Muitas vezes não percebemos as influências do meio externo, pois muitas delas entram em nosso cérebro de forma inconsciente. Por isso, se este espaço for mal projetado, pode ainda prejudicar a saúde física e mental dos colaboradores. Nós somos seres sensoriais. Temos receptores em nosso corpo que interpretam as informações do meio externo e enviam para o cérebro. Consequentemente, isso vai gerar uma emoção, estimulando um determinado comportamento”, explica Priscilla.

    Para explicar tal efeito, ela usa os princípios da neuroarquitetura, que já é estudada há mais de dez anos no Exterior e tem muitos dos estudos centralizados na Anfa (Academy of Neuroscience for Architecture). A ciência comprova o impacto dos ambientes nas pessoas, por meio de pesquisas com equipamentos como a ressonância magnética, que analisa as áreas do cérebro que são ativadas quando enxergamos determinadas imagens.

  Uma das questões notadas é a importância das cores. É que cada tom atinge uma área do cérebro de forma diferente a partir da nossa visão, gerando diferentes comportamentos, de acordo com cada personalidade. Esse, portanto, é um dos fatores que devem ser estudados e levados em consideração na hora de projetar um ambiente de trabalho.

    Priscilla também destaca a luz como fator determinante para estimular o funcionamento do cérebro. “Existe uma tendência de se colocar apenas a luz branca nos ambiente de trabalho, pois ela evita o sono. Obviamente, quando estamos um longo período de tempo sobre essa luz não vamos conseguir relaxar nosso corpo”, explica a arquiteta. A iluminação natural é uma das formas de se combater o estresse, mas o seu excesso também pode causar o efeito contrário. “Temos que cuidar ainda para que os raios do sol ou a claridade não prejudiquem a visibilidade dos monitores. Isso acontece muito em escritórios. A pessoa passa o dia inteiro forçando os olhos para enxergar e isso pode gerar dor de cabeça que, consequentemente, influencia no estresse”, alerta Priscilla.

   Outro fator a ser considerado é o isolamento dos espaços para barulhos que, é claro, só atrapalham a concentração. É que no Brasil, exemplifica, há tempos tem-se incorporado uma referência do Exterior que é o ambiente de trabalho aberto e sem divisórias. Segundo a especialista, essa é uma forma de otimizar os espaços, porém, o controle da acústica fica prejudicado. Os ruídos que geram o estresse são geralmente: barulho do colega, equipamento, vizinhos e barulhos da rua como buzinas e músicas. “Qualquer ruído que nos desconcentre pode nos levar à irritação depois de um determinado período”, considera Priscilla. 

   Uma solução para o problema, em alguns casos, é uso de equipamento de segurança auditiva ou o fone de ouvido, que pode, inclusive, auxiliar no combate ao estresse com músicas. 

    Além disso, a presença de vegetação no ambiente de trabalho ajuda a aumentar o bem-estar e a criatividade em 15%, e a produtividade em 6%. “O nosso cérebro também faz essa referência com uma vegetação artificial, um quadro com imagem de paisagem, revestimento de madeira, pedra, tudo o que simule a questão da natureza.” 

    A profissional, além de prestar consultoria para quem quer decorar este tipo de ambiente, promove o curso Projetos para Ambientes de Trabalho, com foco em neuroarquitetura para arquitetos, designs e profissionais ligados à decoração. Em São Paulo estão abertas turmas para os dias 26 de julho a 4 de agosto. Mais informações em www.qualidadecorporativa.com.br.u




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