DOR SEM SOLUÇÃO

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Maurício Silva

 DOR SEM SOLUÇÃO

 
Fibromialgia, doença que atinge 3% 
da população brasileira, pode ser
controlada o quanto antes 
iniciar tratamento
 
Sentir dor vez por outra é uma situação comum no dia a dia do ser humano. Seja por tensão, por trauma ou ter ingerido uma comida que não caiu bem, um simples analgésico é capaz de cessá-la. Mas e quando ela não passa e acomete a diversas partes do corpo? E por meses seguidos? É preciso procurar um especialista porque pode-se estar sofrendo de fibromialgia, dor crônica que atinge especialmente tendões e articulações. 
Segundo a Sociedade  Brasileira de Reumatologia, 3% dos brasileiros sofrem com esta doença, a maioria  mulheres entre 30 e 55 anos – a cantora Lady Gaga é uma das vítimas da doença e chegou a participar do documentário Gaga – Five Foot Two, da Netflix, que fala sobre isso. A OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que a taxa de incidência da doença varia de 3 a 6% da população mundial. A patologia está ligada à depressão, fadiga, distúrbios do sono, afastamento da família e ansiedade. 
 
A operadora de telemarketing Rosemeire Romon, 41 anos, de Santo André, descobriu a doença em 2017, quando fazia tratamento para realizar uma cirurgia bariátrica. Na época,  sentia muitas dores no abdômen, enxaqueca, dores nas costas, no pâncreas e, mesmo sem  se alimentar, começou a engordar muito. Só foi diagnosticada após um mês de internação. 
E isso porque o médico, que não achava nada em diversos exames, pediu para que ela procurasse um fisiatra e ortopedista que,  após análise clínica, constatou a fibromialgia.  “Tomei medicamentos errado por quase 20 anos e isso debilitou o meu organismo. A minha fibromialgia está no quarto estágio, falta apenas um para o último, que pode levar ao óbito”, desabafa Rose.
 
A partir da descoberta da doença,  ela passou a tomar os medicamentos corretos. A todo são 20 comprimidos por dia, doados pelo Estado. E não é apenas este o inconveniente. Ela diz que quem tem essa  doença sofre vários tipos de preconceitos, principalmente de alguns médicos que não reconhecem a patologia e, principalmente, no momento de procurar emprego. 
Segundo o Dr.Levi Neto, reumatologista da rede de hospitais São Camilo de São Paulo, a melhor prevenção para fibromialgia é um estilo de vida saudável, com redução do estresse crônico e a prática de atividades físicas aeróbicas, tudo isso combinado com a medicação receitada por um profissional. 
O especialista diz que diversos estudos são realizados para amenizar os efeitos da fibromialgia. “Entre os mais promissores temos novas medicações, como a quetamina, em casos refratários ao tratamento padrão, e a terapia não medicamentosa, como a estimulação magnética transcraniana que tem mostrado bons resultados”, diz. 
Para o reumatologista, a fibromialgia é uma doença crônica, assim como a hipertensão arterial e a diabetes e, por isso, tem controle e não cura. “Tratar precocemente é uma forma de impedir a sensibilização central da dor, inibindo a cronificação da dor. Então, quanto antes cuidar, melhor será a resposta ao tratamento”, finaliza. 



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