Feminismo para todos

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Aline Melo

Vivemos um momento de grandes transformações sociais. A internet, a globalização, as redes sociais, tudo isso traz para perto da gente temas e discussões que muitas vezes não nos são comuns. O feminismo é um deles. Apesar de não ser novo - o movimento surgiu no século 19, junto com a revolução francesa - para muitas pessoas ainda é um assunto praticamente desconhecido. 

Em poucas e simples palavras, feminismo é a ideia de que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos e as mesmas oportunidades. Se há mais de 100 anos a luta das mulheres passava pelo direito de trabalhar fora, votar e dirigir carros (e até usar calça comprida), as demandas hoje incluem salários iguais, divisão igualitária do trabalho doméstico e dos cuidados com os filhos e participação efetiva na vida política, entre muitos outros.

E por que precisamos falar de feminismo? Primeiro para desfazer a ideia de que "o feminismo é o contrário do machismo". Ser feminista não é ser contra os homens. É ser contra as desigualdades. Até mesmo porque, o machismo não afeta apenas as mulheres, mas também aos homens. O senso comum de que homem não chora, não fala sobre seus sentimentos, só agrava inúmeros problemas que afetam toda a sociedade.

Falar sobre feminismo é desconstruir os machismos diários. Os micromachismos. As piadas homofóbicas que servem para camuflar o preconceito. As piadas machistas que servem para disfarçar a ideia de que mulheres são inferiores.

Precisamos falar de feminismo porque queremos um mundo melhor, mais justo e igualitário. Precisamos falar de feminismo porque a violência contra a mulher faz inúmeras vítimas, todos os dias. Dados do Fórum Nacional de Segurança, de 2018, mostram que a cada minuto, oito mulheres são agredidas no Brasil. A cada dia, 168 mulheres são estupradas. A cada semana, 52 mulheres são vítimas de feminicídio, ou seja, são assassinadas pela sua condição de mulher. Na maioria absoluta dos casos, os agressores são pessoas muito próximas das vítimas. No Grande ABC, dados da SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado de São Paulo e do TJ (Tribunal de Justiça) mostram que a cada dia, ao menos três mulheres são vítimas de lesões corporais. E que ao longo dos anos, tem aumentado a proporção de vítimas negras e não brancas, que são revitimizadas pelo racismo. É o machismo que permite que esses dados sejam realidade.

É preciso lembrar, ainda, que esses dados são os casos que chegam a ser denunciados, registrados em boletins de ocorrência. A subnotificação é enorme quando falamos de crimes sexuais e violência doméstica, até mesmo pelo caráter privado das relações e das agressões. Logo, os dados são somente a ponta do iceberg. Aquilo que podemos ver, mas nem de longe, dão a real dimensão do problema. Que neste espaço a gente possa discutir e debater sobre o feminismo e sobre formas de termos uma sociedade mais justa e igualitária para todos .

 



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