Pra que serve o medo

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Miriam Gimenes

Psiquiatra Daniel Martins de Barros dá dicas em livro de como usar as emoções negativas a seu favor.
 
Momentos de crise despertam emoções negativas. Medo, ansiedade, tristeza e raiva são algumas delas. São inevitáveis. Mas dá para usá-las a seu favor. Quer saber como? O psiquiatra Daniel Martins de Barros acaba de lançar o livro que pode ajudá-lo nisso: O Lado Bom do Lado Ruim (Sextante, 160 páginas, R$ 39,90).

O autor diz que neste momento da pandemia do novo coronavírus estamos vivenciando muitas emoções. “Por isso temos de aproveitá-las. Acho que um primeiro bom exemplo é o medo. Porque estamos todos inseguros, angustiados, assustados e o medo é fundamental em momento como este. Tem dados interessantes, estudos, que mostram que quando as pessoas não ficam com medo não tomam atitudes suficientes para se proteger. Quando ela acha que não é atingida pelo problema, não é de risco, acha que não é grave, e não segue as recomendações como as de higiene e de distanciamento social.  O medo, portanto, é essencial para proteção humana.” Os sentimentos servem, portanto, como alarmes para o nosso corpo e mente.

Outro ponto positivo do medo, acrescenta, é que ele produz prazer em ambientes protegidos – no caso da quarentena, em casa, isso é uma vantagem. O seu excesso, no entanto, é que tem de ser avaliado. Isso porque o medo súbito, sem explicação, pode se transformar em síndrome do pânico; os medos específicos, irracionais, podem ser fobias; tensões constantes, que impossibilitam o relaxamento, se transformam em ansiedade generalizada e os ataques de medo por lembrar momentos traumáticos podem indicar estresse pós-traumático. “Uma das coisas que tenho recomendado é justamente que as pessoas não se bombardeiem com notícias sobre a pandemia. Hoje, com essa hiperconexão, você pode receber as notícias que na maioria das vezes não são boas. Ficar buscando esse tipo de informação o tempo todo  coloca nosso cérebro em estado de alerta que leva ao pânico, o que resulta, a exemplo, às pessoas estocarem papel higiênico, algo sem necessidade.”



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