Convivência saudável na quarentena

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Vinícius Castelli

Olhos atentos e bom humor são essenciais para lidar com as crianças durante isolamento físico.

Nada de aulas, brincadeiras em áreas de lazer, encontros com amigos, passeios de bicicleta. O isolamento físico, como forma de frear a pandemia da Covid-19, chegou para todos, inclusive para as crianças. Se antes os pais deixavam os pequenos nas escolas e, muitas vezes, em boa parte do dia na casa dos avós, hoje essa rotina se tornou impossível, ao menos por enquanto.

E diante de um cenário em que tudo está diferente, a criançada também pode sentir as consequências dessas mudanças. Segundo o psicólogo clínico Fábio Corrêa, de São Caetano, os mais novos podem apresentar medos e inseguranças manifestados muitas vezes sob sintomas de ansiedade, hiperatividade, desmotivação, irritabilidade,  por exemplo.
“Estamos enfrentando um período atípico, onde todos somos atingidos de várias formas, dentre elas as emocionais. E os nossos pequenos infelizmente também são atingidos. Vejo sob o relato de meus pacientes que a quarentena já tem afetado as crianças em casa”, explica.

O profissional explica ser importante ajudar as crianças a entender o que está acontecendo, com relação à pandemia do novo coronavírus. “Elas já entendem que existe algo diferente na rotina da casa e fora também”, diz. Ele afirma que alguns pontos, como números de mortos, não precisam ser citados. E ao explicar a situação, sempre garantir que os mais novos se sintam seguros, protegidos e acolhidos.

Corrêa sugere observar aspectos essenciais como o sono, a fome, motivação. “Se apresentam qualquer alteração significativa naquilo que é habitual da criança pode ser indicativo de alguma questão emocional”, explica. E para que a criança passe bem por essa fase, o especialista afirma que os pais ou responsáveis também precisam estar saudáveis. “Exemplifico isso aos meus pacientes por meio do filme A Vida É Bela, de Roberto Benigni, onde o empenho criativo daquele pai em preservar emocionalmente seu filho em meio ao terror nazista é exemplar.”

O psicólogo acredita ser muito importante vivenciar o momento atual de forma oportuna em relação ao contato entre pais e filhos, “já que, uma boa parte das vezes esse contato é limitado por conta dos compromissos da família. É um momento onde essa união familiar e a esperança são fundamentais.”
Oferecer atividades lúdicas como desenho e contação de histórias são sugestões do profissional. “E na medida em que os pais notem a saudade de um amiguinho ou de um familiar buscar oferecer algum contato telefônico ou virtual, por exemplo”, exemplifica. “Criar brincadeiras novas junto com as crianças e resgatar brincadeiras antigas da própria infância dos pais também são boas alternativas para deixar a convivência saudável.”

Com todos no mesmo ambiente e várias tarefas para serem realizadas, como home office, cuidar da casa, lavar louça e cuidar das crianças, a personal organizer Juliana Aragon sugere envolver todos os moradores neste novo modo de vida, inclusive os pequenos.

“É necessário criar rotinas de estudo, lazer e momentos em família, ter hábitos de organização desde pequenos”, afirma a profissional. Para ela, dependendo da faixa etária, as crianças já podem ajudar nos afazeres domésticos como lavar a louça e varrer a casa. “Com cada um ajudando um pouco, o ambiente ficará sempre em ordem”, ressalta Juliana, que também diz serem necessários falar e deixar bem claro o que cada um deve fazer.

“Quando implantamos organização nas crianças desde cedo, criamos também o senso da responsabilidade. Para isso, comece com pequenas tarefas, uma por vez.” Segundo ela, uma boa estratégia para os pequenos colaborarem é fazer tudo de forma lúdica.




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