Vidas negras importam

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Miriam Gimenes

O livro Minha História, escrito pela ex-primeira-dama dos Estados Unidos Michelle Obama, foi lançado em 2018 e, em apenas 15 dias, foi recorde de venda. Eu só consegui ler o exemplar que comprei agora, já que a quarentena me deu mais tempo de me dedicar à atividade que mais gosto: a leitura. Devorei a publicação, com 440 páginas, em três semanas e entendi seu sucesso: é um dos melhores que li nos últimos tempos. 

Miche, como é chamada carinhosamente por Obama e familiares, nasceu em uma família humilde. Com esforço dos pais – e dela também – conseguiu fazer duas faculdades (Princeton e Harvard), trabalhou como advogada, se refez na profissão e, por fim, fez um trabalho exemplar enquanto primeira-dama do país mais poderoso do mundo. Ainda assim, o seu relato, mostra, em diversos aspectos, quanto para o negro o caminho é extremamente mais penoso do que para o branco, o preconceito que sofreram durante toda a vida e como ela teve de lutar para mostrar o quanto era preparada para o cargo. Isso sem contar as inúmeras vezes em que relatou o quanto a entristecia em saber que jovens negros eram assassinados, seja por gangues ou policiais, sem nem ao menos terem a chance de mostrar o que eram, o que ela, com custo, conseguiu. 

“Na primeira eleição de Barack, vários comentaristas fizeram afirmações ingênuas de que nosso país entrava numa era ‘pós-racial´, em que a cor da pele deixaria de ter importância. Esses fatos (assassinatos de negros) mostravam que eles estavam equivocados. Obcecados pela ameaça do terrorismo, muitos americanos deixavam de ver o racismo e o tribalismo político que dilaceravam a nação.” Obama foi presidente de 2007 a 2015 e nada mudou. 

Tanto que vemos atualmente o movimento #vidasnegrasimportam, citado pela entrevistada da capa, a atriz Jéssica Ellen, no ar em Totalmente Demais. Criado em 2013, ele cobra a adesão da população branca no debate racial e voltou em pauta em razão do assassinato do afro-americano George Floyd, asfixiado por policiais em maio. Aqui no Brasil teve a morte do menino Miguel, 5 anos, que caiu do prédio em Pernambuco após negligência da patroa de sua mãe. A mulher, branca, apenas pagou fiança e até agora não foi responsabilizada pela morte. Até quando teremos de lidar com notícias dilacerantes como essa? Fica a reflexão. Boa leitura!

Miriam Gimenes

 

 

 



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