É preciso prestar atenção

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Vinícius Castelli

Especialistas em saúde masculina falam da importância de tratar do assunto sem tabu
 
 
Problemas de ereção, disfunção sexual, impotência. Esses são assuntos que fazem parte do cotidiano da paulistana Raquel Sebe, 40 anos. Formada em moda, caminho que trilhou por mais de duas décadas, ela sempre teve o tema saúde perto de si, por causa de seu pai, Dr. Emílio Sebe, 77.
 
Urologista há 50 anos, ele realizava trabalho social em áreas carentes da Grande São Paulo, e a filha, sempre que podia, estava junto. Fato é que ela deixou sua carreira de lado e mergulhou de cabeça no universo que o pai já percorria há tanto tempo.
 
O foco do Dr. Emílio é na área da saúde sexual masculina. Só ele já atendeu cerca de 50 mil pacientes especificamente nesse assunto. A dedicação é tamanha que fundou o grupo Lifemen, onde Raquel trabalha como diretora executiva. “Desde sempre cresci vendo meu pai ajudando as pessoas na área de saúde sexual masculina. E chegou um momento, há cinco anos, onde resolvi sair do varejo de moda e ajudá-lo”, conta.
 
 O grupo Lifemen hoje conta com clínicas em Santo André, São Paulo, Guarulhos, Campinas, Belo Horizonte (Minas Gerais), Brasília, Rio de Janeiro, Curitiba (Paraná) e Fortaleza (Ceará). Palmas, no Tocantins, é a próxima parada da empreitada.
 
Raquel explica que, quando se fala da questão sexual masculina, o assunto aborda os cuidados com a saúde do homem, de seu bem-estar, e em manter boa performance com relação à prática do sexo. A clínica trata de várias disfunções que podem existir no organismo.
 
Entre os casos mais comuns estão disfunção erétil, ejaculação precoce e falta de libido. Segundo ela, boa parte dos pacientes chega em busca de ajuda após ter recomendação de outra pessoa que foi atendida por eles.
 
Os tratamentos, em sua maioria, segundo Raquel, acontecem no quesito físico, já que podem se tratar de algum distúrbio biológico. Mas quando é algo psicológico, “encaminhamos para profissionais especialistas na área. A saúde sexual do homem não só é importante para ele como para mulher, é a coluna mais importante para a vida do casal.”
Para cada caso é um tratamento diferente. Raquel diz que não há uma ‘receita’ de prateleira, dada para todo mundo que entra em busca de ajuda. Tudo é estudado e cuidado com cautela, carinho e respeito.
 
De acordo com Dr. Emílio, eles trabalham com algumas frentes. “Medicamentosa, terapia de onda de choque e psicoterapia, esta última, cada vez menos usada”, explica. O especialista diz que o que mais vê é a disfunção erétil, conhecida como impotência, e que isso pode levar à alteração da libido. “A pessoa deixa de ter desejo (sexual). Além da parte hormonal, corrigimos a ereção.”
 
Dr. Emílio diz que um dos casos mais trabalhosos é da ejaculação precoce. “Além do fator psicológico, tem a sensibilidade da glândula. É difícil de resolver, mas temos medicamentos”, afirma.
 
O especialista diz que as disfunções sexuais devem ser encaradas pela população como faz com quaisquer outros problemas de saúde. “O pênis conta com duas artérias pequenas, com 1 mm de diâmetro. O sangue tem gordura, colesterol, triglicérides.  E o que dá ereção é uma boa quantidade de sangue passando por lá. Você escuta falar de problema de coração, de derrame cerebral, e no pênis não acontece nada?”, questiona.
 
O especialista recorda que quando se formou, não havia tratamento para disfunção erétil. “Tudo era psicológico”, lembra. “Não havia um aparelho de ultrassom na cidade de São Paulo. Fui ver isso cerca de três anos depois”, lembra. “A medicina evolui e essa evolução não para.”
 
Um dos tratamentos é feito com terapia de ondas acústicas, para aumentar a circulação sanguínea no órgão sexual masculino. Serve para revitalizar, reforçar ou restaurar as funções eréteis. “Cada sessão dura em média 15 minutos. É como se fosse uma academia para o pênis”, brinca Raquel.
 
A diretora executiva, aliás, fala do assunto com muito bom humor e leveza, como deve ser, na verdade. Apesar disso, ela explica que, para muitos, ainda hoje, falar de saúde sexual é tabu. “A menina, quando fica ‘mocinha’, a mãe geralmente leva na ginecologista. Com os meninos, quando iniciam a vida sexual, raramente a mãe ou pai levam em algum médico para fazer check-up. E muito disso é por falta de informação mesmo”, diz.
 
Segundo ela, o universo da saúde sexual masculina é cheio de preconceito, que vem junto com muita carga emocional e cobrança da sociedade. Ela explica que muita gente acha que ter algum tipo de disfunção nesse quesito pode afetar a ‘masculinidade’ da pessoa.
 
“Os homens têm muito preconceito por desde sempre ouvirem que a masculinidade está diretamente ligada ao perfeito funcionamento do organismo. Isso é pura falta de informação, porque, se alguma coisa não está legal no organismo, como em qualquer outra área, ele vai, trata e resolve. Quando se fala de saúde sexual masculina, vira tabu. Temos que tratar isso de forma mais direta”, diz.
 
Para Raquel, se perguntar para 100 homens se eles podem melhorar (o desempenho sexual), a chance de todos responderem que estão muito bem nessa área é gigantesca. “Isso vem, em sua maioria, por desconhecimento e falta de informação. A disfunção sexual é como qualquer outra disfunção que nosso organismo pode apresentar”, diz. “É preciso entender que dá para ficar melhor”, encerra Dr. Emílio.
 



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