Lúpus eritematoso sistêmico

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Alessandra Nunes

Lúpus eritematoso sistêmico é uma doença inflamatória autoimune crônica, que pode afetar diversos tecidos e órgãos, pela alta produção de anticorpos, variando em fases de atividade e remissão da doença. Lúpus se traduz do latim lobo, relacionado à semelhança da lesão facial através da mordida do animal, em especial, no nariz e bochechas; um eritema malar no formato de asas de borboleta.
São reconhecidos dois tipos principais: o cutâneo, manifestado através das manchas na pele, principalmente nas áreas mais expostas à luz solar, e o sistêmico, onde um ou mais órgãos são atacados.
Acomete mais mulheres com idade entre 20 e 45 anos, mais frequente em mestiças e afrodescendentes. É estimado que existam, no mínimo, 5 milhões de pessoas no mundo com o diagnóstico e mais de 100 mil novos casos por ano. Pode levar anos para ser diagnosticada devido aos sintomas serem semelhantes aos de outras doenças mais comuns. 
Sua causa é desconhecida, mas a literatura aponta que todas as doenças autoimunes combinam fatores hormonais, infecciosos, genéticos e ambientes para o seu surgimento. Sendo assim, pessoas com uma maior susceptibilidade genética para a doença, após alguma interação com fatores ambientais (infecções virais e bacterianas ou irradiação solar), iniciam alterações imunológicas, devido ao desequilíbrio de produção de anticorpos que reagem com proteínas do organismo, causando uma inflamação em órgãos como a pele, mucosas, articulações, rins, pulmões, entre outros.
Cada pessoa apresenta manifestações clínicas diferentes, pois, os sintomas se desenvolvem de acordo com o anticorpo existente e suas características de desenvolvimento. Os sintomas são manchas no rosto, anemia, queda de cabelo, dores articulares, úlceras orais, cefaleia, dores abdominais, entre outros; se não tratado, pode ocasionar falência dos rins e doenças cardiovasculares. 
Seu diagnóstico é feito por um reconhecimento médico, por meio de sintomas. Simultaneamente, alterações em exames de sangue e urina são utilizados para se identificar a patologia e definir se há atividade do LES. Não existe um exame exclusivo, mas há um teste, conhecido como FAN (Fator ou Anticorpo Antinuclear), que permite maior clareza diagnóstica.
As medicações utilizadas no LES promovem uma série de alterações metabólicas. O efeito dos corticosteroides, em especial, está associado com o aumento do colesterol, de suas frações e dos triglicérides, podendo também induzir outros fatores de risco, como a obesidade, hipertensão arterial,  aumento da insulina no sangue e resistência insulínica.
O aumento da insulina eleva o estresse oxidativo, já causado pelas outras inflamações, tornando isso um grande fator para o desenvolvimento de aterosclerose. A literatura também aponta que o diabete é mais comum em pacientes portadores de LES do que em comparação com pessoas que não possuem a patologia. 
Para o tratamento, além da medicação base necessária, existem medidas de suporte, como orientação sobre a doença, apoio psicológico, atividade física e a terapia nutricional, que melhora o processo inflamatório e atenua complicações colaterais. O controle por meio da alimentação previne principalmente a progressão de doenças cardiovasculares.
É necessário que a alimentação contenha valor energético e proteico moderado, mas com muita atenção à oferta de vitaminas, minerais, em especial os antioxidantes, além dos ácidos graxos mono/poli-insaturados, promovendo benefícios para o tratamento, supressão da inflamação e comorbidades associadas. O nutricionista junto a uma equipe multidisciplinar podem auxiliar na melhoria da qualidade de vida de indivíduos diagnosticados com LES.
 



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