Chama da Esperança

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Miriam Gimenes

Tento ser otimista na maior parte do tempo. Confesso que neste ano que termina em breve tive dificuldade de manter isso. Mas, sempre que algo me põe para baixo, vou atrás de algo que me emerja, que me faça, assim como diz o entrevistado de capa, o muralista Eduardo Kobra, olhar para cima. Foi desta maneira que ele superou os momentos difíceis de sua vida – um deles recentemente, perdeu sua filha recém-nascida, que tinha um problema congênito.

“Quando a gente chega no fundo do poço, o único lugar que a gente tem é olhar para cima. E foi o que eu fiz. Olhei para cima e falei: ‘Olha, depressão, você não pertence a mim’. ‘Ansiedade,  eu não quero viver isso.’ Quando parei de beber, achei que tinha algo melhor para mim do que isso. Quando passei a respeitar minha família e minha esposa, percebi que isso me faria bem. E a cada mural que coloco nas ruas é a esperança que brota primeiro no meu coração, depois procuro levar isso para cidade e passar isso para as pessoas”, conta o artista. Seu mais recente trabalho, um mural com 33 metros de altura por sete metros de largura, na empena de um prédio situado à Rua Traipu,no Minhocão, e São Paulo. O nome? A Mão de Deus.

Nesta edição também tem a história do editor José Xavier Cortez, 83 anos, que nos últimos 50 se dedicou aos livros e se viu de mãos atadas durante o isolamento. Atadas até o momento que decidiu escrever uma publicação, a primeira de sua autoria, que reflete sobre as agruras da quarentena. 

Já em Cultura, falamos de um trabalho que dura  uma hora e 13 minutos, feito pela atriz Bárbara Paz. No documentário Babenco – Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer: Parou, que deve representar o País no Oscar, ela mostra com olhar amoroso a trajetória e a partida de seu marido argentino. “Entre eu e ele a gente sabia que era um filme de memórias, foi uma união, uma mão que segurou a outra e fomos até o fim.” Que as mãos de Deus e a do amor estejam com a gente no próximo ano. Boa leitura!

 




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